A recente designação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelo governo dos Estados Unidos trouxe um novo elemento para a agenda de Compliance e Gestão de Riscos das empresas que atuam no Brasil e possuem operações, investidores, clientes ou parceiros internacionais.
Embora o tema tenha gerado forte repercussão, é importante destacar um ponto: não estamos diante da necessidade de reconstruir programas de Compliance já consolidados.
O principal impacto está na ampliação da atenção sobre riscos relacionados a terceiros.
Fornecedores, intermediários, operadores logísticos, prestadores de serviços e demais parceiros de negócios passam a exigir um olhar ainda mais criterioso, especialmente em setores ou regiões que possam apresentar maior exposição a atividades ilícitas.
Nesse contexto, algumas medidas ganham relevância:
- Avaliações de risco mais direcionadas;
- Fortalecimento dos processos de due diligence;
- Revisão de cláusulas contratuais relacionadas a compliance e integridade;
- Monitoramento contínuo de terceiros;
- Treinamentos voltados à identificação de sinais de alerta;
- Aprimoramento de controles internos e mecanismos de reporte.
O cenário reforça uma tendência já observada globalmente: riscos de integridade, criminalidade organizada e compliance internacional estão cada vez mais conectados.
Para as empresas, o desafio é evitar tanto a negligência quanto o excesso de reação.
A abordagem mais eficiente continua sendo aquela baseada em avaliação de riscos, proporcionalidade e fortalecimento contínuo dos controles de governança.
O momento exige atenção, mas sobretudo planejamento e capacidade de antecipação.
Raphael Perillo
Sócio da LBCA

