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Tudo o que você precisa saber sobre o metaverso

8 de novembro de 2021  |  Por Lorena Carneiro do Nascimento  |  LBCA
Tudo o que você precisa saber sobre o metaverso

Muitas vezes acessamos diferentes plataformas digitais em busca de facilitar atividades do dia a dia e experiências do mundo físico. A ideia do metaverso subverte essa lógica e promete revolucionar a forma como usamos a internet.

1. O que é metaverso?
A palavra Metaverso é a combinação das palavras Meta (da palavra grega, que significa “além”) e Universo (com origem no latim e que significa tudo o que existe) e contempla a ideia de um mundo virtual, que se sobrepõe à uma realidade existente. Por meio de um ambiente virtual, há a interconexão entre o mundo físico e mundos virtuais, por meio da internet, realidade virtual e outras tecnologias emergentes. Em um metaverso é possível que sejam realizados encontros sociais, reuniões, treinamentos, jogos, shows, compras, experiências de aprendizagem, dentre outros.

2. Quais são as principais características do metaverso?
Identidade: Embora digitalmente presente no metaverso, os usuários podem se expressar como quem ou o que quiserem, por meio de seu próprio avatar;

Imersivo: uma experiência verdadeiramente envolvente que engloba todos os sentidos de uma pessoa: visão, audição, tato, olfato e paladar. Hoje, os dispositivos de realidade virtual (RV) estão focados principalmente em som e imagens. A próxima geração de dispositivos de RV pode incluir trajes corporais e esteiras omnidirecionais, que proporcionam aos usuários sensações físicas, por meio de eletroestimulação, enquanto navegam em um ambiente digital;

Multi-dispositivo: a capacidade de acessar o metaverso de qualquer lugar é um recurso importante, seja pelo smartphone, computador, tablet ou outros dispositivos;

Economia: um metaverso totalmente desenvolvido tem uma economia funcional, consistente não apenas da venda de produtos digitais para usuários, mas também da comercialização entre os próprios usuários (peer-to-peer);

Comunidade: Os usuários não estão sozinhos no metaverso, mas rodeados por outros em tempo real, compartilhando experiências e interações.

Persistente em tempo real: espera-se que o metaverso seja persistente em tempo real, sem capacidade de pausa, de modo que ele continue a existir e funcionar mesmo depois que os usuários saem. Essa característica muda a centralidade do usuário para o próprio mundo virtual.

3. Por que o metaverso está se tornando cada vez mais popular?
Espera-se que o metaverso seja o próximo estágio no desenvolvimento da internet.

Atualmente, as pessoas interagem entre si no on-line por meio de plataformas de mídia social ou usando aplicativos de mensagens. A ideia do metaverso é criar novos espaços on-line, nos quais as interações dos indivíduos possam ser mais multidimensionais e onde seria permitido aos usuários vivenciar o conteúdo digital no lugar de simplesmente o visualizar.

O interesse acelerado no metaverso é um reflexo da pandemia, que exigiu novas formas de interação. À medida que mais pessoas começaram a trabalhar e a frequentar instituições de ensino remotamente, aumentou a demanda por maneiras de tornar a experiência on-line mais realista.

4. Quem está desenvolvendo essa tecnologia?
A ideia do metaverso está atraindo muito interesse de investidores e empresas, em especial, de plataformas de redes sociais, de empresas de games, da indústria de entretenimento e das maiores marcas de moda do mundo. O termo é particularmente popular no Vale do Silício e é apontado como o próximo grande acontecimento em termos de tecnologia, a Web 3.0.

5. O metaverso já está disponível para acesso?
As primeiras versões do metaverso já existem hoje, oferecendo aos investidores um vislumbre de seu enorme potencial. No futuro, espera-se que sejam apresentadas plataformas de arquitetura aberta, descentralizadas, alimentadas por tecnologia blockchain e acessadas por dispositivos de realidade virtual.

6. Quais são as possíveis implicações jurídicas do metaverso?
Ainda é cedo para dimensionar todas as implicações jurídicas e regulatórias do metaverso, mas é certo que as empresas que aderirem a essa nova realidade precisarão de uma abordagem multidisciplinar e atualizada. Dada a amplitude de seus usos, já se sabe que o metaverso abarcará questões relacionados ao uso de blockchain, inteligência artificial, smart contracts, termos de uso e licenças de software, propriedade intelectual, comercialização de moedas digitais, tokenização de ativos, uso de NFTs, criação de Organizações Autônomas Descentralizadas (OAD), questões antitruste, de direito internacional, crimes cibernéticos, de segurança da informação e, principalmente, proteção de dados pessoais.

7. O uso de dados pessoais será intensivo?
Acredita-se que o metaverso será responsável pelo maior volume de uso de dados pessoais da história, o que exigirá atenção, em especial quanto a:

Dados biométricos
Fones de ouvido e óculos de realidade virtual provavelmente serão comuns no metaverso. Esses dispositivos têm o potencial de coletar uma ampla gama de dados sensíveis sobre o usuário, como, por exemplo, movimentos dos olhos e do corpo, respostas fisiológicas e até mesmo padrões de ondas cerebrais.

À medida em que esses dados forem usados por atores que atuam no metaverso para aprender sobre o usuário ou para tomar decisões sobre eles, serão necessárias políticas e avisos de privacidade e o consentimento explícito dos titulares para cada finalidade para a qual os dados forem são sendo usados, em alinhamento com legislações como a LGPD e o GDPR.

Compartilhamento de dados

Para permitir a interoperabilidade, os dados coletados por uma entidade no metaverso podem ter que ser compartilhados entre diferentes operadores e mesmo plataformas. Os agentes de tratamento de dados precisarão estabelecer acordos bilaterais ou multilaterais de compartilhamento de dados para garantir a integridade e segurança durante a navegação do usuário. Dada a quantidade de dados coletados e a escala das redes de compartilhamento de dados, tendem a serem operações de grande complexidade.

Dados de menores

As leis de proteção de dados de muitos países resguardam os dados pessoais de crianças e adolescentes de forma diferenciada, inclusive a LGPD. Em muitas circunstâncias, o consentimento dos responsáveis é necessário se uma criança quiser participar de um serviço on-line que envolva a coleta de seus dados.

No metaverso serão necessárias técnicas sofisticadas de verificação de idade, aplicando restrições de acesso de modo a impedir que crianças forneçam seus dados pessoais sem a ciência de seus pais e responsáveis, garantindo a conformidade com as melhores práticas de proteção de dados.

8. No metaverso, o número de incidentes envolvendo dados pessoais poderá ser maior?
Como acontece com qualquer plataforma on-line, o metaverso enfrentará os desafios usuais de se defender de incidentes de segurança cibernética. Esses tipos de incidentes podem ser mais difíceis de identificar, verificar e controlar, e, por consequência, também de determinar de quem serão as responsabilidades em relação à notificação de titulares e autoridades de proteção de dados, dada a complexa teia de relações que compõem o metaverso.

Para os operadores do direito, o grande desafio que o metaverso irá impor será o equilíbrio entre os imperativos comerciais com os requisitos legais e de conformidade, além da necessidade de acompanhamento das inovações que dele serão provenientes.