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“Pouca gente sabe, mas racismo dói”: veja perfil do colaborador Teddy Wellington Gonçalves Da Silva

19 de novembro de 2019  |  Por Santamaria Silveira
“Pouca gente sabe, mas racismo dói”: confira perfil do colaborador Teddy Wellington Gonçalves Da Silva

Aos 16 anos, o analista e colaborador da LBCA, Teddy Wellington Gonçalves da Silva, foi vítima de racismo em um megashow. Ao entrar na fila para comprar lanches e bebidas não alcoólicas com dois amigos (um branco e um mulato) encostaram ao lado do caixa para separar o dinheiro e foram abordados por seguranças à paisana, que ordenaram que se virassem e começaram a revistá-los, perguntando se estavam vendendo drogas no local. Tiveram de mostrar os documentos e após a revista vexatória foram liberados. “Era nítido ver quem eram as pessoas que estavam consumindo drogas e por ser negro fui abordado”, diz indignado o bacharel em direito.

Teddy sente muito orgulho de suas raízes, de sua origem. Seu nome foi homenagem a um cantor negro de rhythm-and-blues, Teddy Pendergrass, de quem seu pai era fã.

Há 1 ano na LBCA, ele aponta como um dos fatores positivos do escritório a possibilidade de realizar funções diferentes em curto espaço de tempo e aprender coisas novas. Teddy já trabalhou em publicação, habilitação, diligência, cópia e intimação.

Comparativamente a outros escritórios, onde passou por processo seletivo, Teddy se sentiu bem mais acolhido na LBCA. “Nas entrevistas que fiz anteriormente, senti um certo racismo, me senti discriminado, porque fui deixado por último, era menos ouvido, a forma como era olhado, me sentia constrangido. Aqui, deu para perceber que era diferente. A sala estava cheia, tinha mais diversidade, a forma que vieram falar comigo, o RH, meus gestores, foram muito mais receptivos”, diz o colaborador. Teddy lembra também que na integração ficou claro para ele a importância que a LBCA dá para a diversidade e profissionais negros, LGBTI, PcDs, etc.

Segundo Teddy, se ele fosse vítima de racismo dentro da LBCA, ele denunciaria, porque se sente seguro. “Muitas vezes, as pessoas não denunciam por medo de não dar em nada, porque quem discriminou está hierarquicamente acima, porque há o medo de sofrer algum assédio moral ou até mesmo demissão”. Ele entende que o país está evoluindo na questão do combate às práticas racistas, porque sua mãe, avós e tios, provavelmente sofreram racismo de forma muito mais agressiva, há 30 ou 40 anos, do que podemos constatar atualmente.

Teddy quer fazer carreira na LBCA: “Meus objetivos são crescer gradativamente, primeiro me tornar advogado, ir me qualificando para um dia poder ocupar o cargo de gerência”. O colaborador já participou de dois processos seletivos internos, porque surgiram vagas e pretende crescer à medida que aparecerem novas oportunidades. Ele admira o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, por ser negro, sofrer racismo, ter enfrentado dificuldades e ter se desafiado a ascender na carreira, o que inspira Teddy a tentar seguir uma carreira pública no Judiciário, no futuro. “Meu desejo é que um dia a sociedade, ao ver um negro em posição de destaque, não fique surpresa, pois capacidade não depende de cor, religião, etc”, finaliza.