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Perfil LBCA: Price e sua guinada na vida

21 de fevereiro de 2020  |  Por Santamaria Silveira  |  LBCA
Perfil LBCA: Price e a guinada na vida

A nova auxiliar administrativa da LBCA na Área 415, Price Winfred Nalutaaya, 38 anos, pode ser considerada uma ativista de gênero. Refugiada ugandense, ela veio ao Brasil porque foi perseguida e ameaçada de morte por trabalhar em uma organização contra a mutilação genital de mulheres em seu país de origem. A chamada ablação ainda é, segundo Price, um costume muito arraigado em Uganda e em outros países africanos. Além da grande violência, o procedimento de mutilação, na maioria das vezes realizado com facas não esterilizadas, submete as mulheres ao risco de contaminação e mortes.

Price, que é formada em economia em seu país, imigrou para o Brasil em 2013.  Ela é a caçula de uma família de 22 irmãos, sendo que 13 já morreram. Seu pai era fazendeiro, mas perdeu plantações e gado durante o governo do ditador Idi Amin Dada, considerado um dos mais repressivos da África. O pai chegou a ir morar com a irmã, que é neurologista nos Estados Unidos, mas achou o clima muito frio e voltou para Uganda.

Provando que está dando uma guinada na vida, Price já está no 5º semestre de Direito, na Faculdade Zumbi dos Palmares. Ao chegar a São Paulo, para onde se refugiou, Price encontrou acolhida em uma organização religiosa e depois foi encaminhada primeiro para a Missão Paz e depois para a Cáritas – dois centros de referência para os imigrantes em estado de vulnerabilidade – onde obteve o visto de refugiada política. Agora, ela está em processo de naturalização para se tornar brasileira de fato e de direito.

Antes de vir para a LBCA, Price trabalhou 2 anos como estagiária da Defensoria Pública do Estado de São Paulo. Mas antes, fez faxina e  muitos “bicos” para sobreviver. Foram tempos difíceis, que ficaram para trás, segundo ela. Na Defensoria, Price trabalhou com Direito de Família e Previdenciário e achou o Direito Civil brasileiro muito complexo, porque abrange muitos temas, muita jurisprudência. Ela gosta do Direito Penal, que é mais enxuto, e está aprendendo na LBCA muitas coisas novas na área do Direito do Consumidor.

Depois de seis anos no Brasil, Price observa que no país há muita discriminação econômica e social. “Não falo da discriminação racial, porque essa é universal”, comenta com bom humor. Para o futuro, Price tem muitos planos. No ano passado conseguiu trazer sua filha Angelina Mugezi, de 11 anos, que já pensa em se formar em Direito, comprar um apartamento e fazer carreira no escritório. Price, que domina o inglês e entende bem o francês, reclama que o português é uma língua muito difícil, que se tornou mais um desafio a ser vencido.