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Medição do bem-estar econômico e projeções otimistas

24 de junho de 2021  |  Por Yun Ki Lee e Fabio Rivelli   |   Migalhas
bem-estar econômico e projeções otimistas

O confronto entre 33,2% dos moradores da cidade de São Paulo que declaram que seu bem-estar econômico é ruim ou péssimo – em contraposição com os 18,3% que dizem estar em ótima situação – revela que cresceu a desigualdade na maior cidade da América Latina.

Os dados fazem parte da pesquisa “Confiança nas Instituições e Satisfação com o Bem-Estar Econômico – 2021”, que mede o índice ICapH, do Instituto do Capitalismo Humanista. O levantamento ainda apontou um aumento da desconfiança em relação ao governo e uma redução da percepção negativa sobre empresas e empresários.

O ICapH, pela lei municipal 17.481/20, deve ser orientador das políticas públicas do Município de São Paulo. Segue a linha do censo demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), propiciando um retrato de quem vive na cidade para que o orçamento da municipalidade possa ser destinado à educação, saúde, transporte e outras áreas, onde haja efetivamente demandas da população.

Realizada entre os dias 8 e 9 de maio de 2021, a pesquisa entrevistou 616 moradores da cidade de São Paulo e mostra que houve uma piora da média da sensação de bem-estar econômico dos munícipes. Neste ano, para 33,2% dos entrevistados, a situação econômica está negativa, com 13% afirmando estarem ruim e 20,2% como péssima. Esses indicadores eram menores em 2020: já durante a pandemia de covid-19, a pesquisa revelou que 27,4% dos respondentes disseram ter uma percepção negativa de sua situação econômica, com 14% declarando estarem ruim e 13,4% como péssima. Ou seja, um decréscimo de 5,8 pontos percentuais na comparação entre 2021 e 2020.

Essa variação é distinta no comparativo de percepções dos anos de 2019, pré-pandemia, e 2020. Nos percentuais registrados em 2019, 11,2% dos entrevistados classificavam seu bem-estar econômico como ruim e 17,5% como péssimo, somando 28,7% em condições negativas. Mas esse cenário pode ter reversão, pois, neste ano, há expectativa de crescimento do PIB entre 4% e 5,7%, com sinais no horizonte de recuperação de diferentes setores da economia, em contraponto ao ano passado, quando foram registradas perdas ainda mais significativas nos primeiros trimestres de pandemia.

O levantamento revelou ainda que houve um aumento da desigualdade: o número de pesquisados a indicar como ótimo seu bem-estar saltou de 4,3%, em 2020, para 7,6%, neste ano. Com a queda dos que qualificaram sua situação como boa (de 13,8%, em 2020, para 10,7%, em 2021), o total de pessoas que se identifica com um bem-estar econômico positivo, soma de respostas ótima e boa, manteve-se estável (18,1%, em 2020, e 18,3%, em 2021). No levantamento de 2019, ou seja, antes da pandemia, 3,5% dos entrevistados classificavam como ótimo e 9,6% como bom, em um total de 13,1% de bem-estar econômico positivo.

A parcela dos entrevistados que enxerga seu bem-estar econômico como regular ou razoável, que em 2019 era de 57,3%, caiu para 54% em 2020 e chegou a 48,3% neste ano, segundo a pesquisa.

A pesquisa do ICapH de 2021 aponta que, em meio à pandemia, os moradores da cidade de São Paulo estão a enxergar uma população “mais egoísta” em relação ao levantamento de 2020. Para 41,9% dos entrevistados deste ano, os “paulistanos” estão mais egoístas durante a pandemia, contra 32,1% que responderam dessa maneira em 2020. Já a percepção de que a população está mais solidária oscilou positivamente, passando de 45,4%, em 2020, para 46,9%, agora. O número de pessoas que identifica os moradores da maior cidade do país como indiferentes despencou de 21,1%, em 2020, para 8,8% ,em 2021, e os que não souberam avaliar variaram de 1,4%, em 2020, para 2,4%.

O levantamento feito pelo Instituto Guimarães, a pedido do Instituto do Capitalismo Humanista, mediu ainda o grau de confiança dos moradores de São Paulo em instituições governamentais. Neste ano, 51,2% afirmaram não confiar no governo, 4,5% em confiar muito e 41,6% em um pouco, e com 2,7% que não souberam opinar. Essa desconfiança é maior que a registrada em instituições financeiras (41,2%) e em empresas e empresários (26,8%). Em 2020, a desconfiança aos governos era menor, de 46,6%.

O estudo também mostra que 56,8% dos entrevistados disseram “querer ter a liberdade” de receber tratamento precoce se estiver com covid-19 contra 37,9% que discordam e 5,3% que não responderam a esta pergunta.

A pesquisa do ICapH, realizada pelo Instituto Guimarães a pedido do Instituto do Capitalismo Humanista, levou em conta a proporcionalidade da população por localidade, gênero, nível educacional e renda, permitindo cruzar dados de bem-estar econômico e confiança de cada grupo social.

Se a percepção dos que vivem na cidade de São Paulo ainda é de que os ventos da economia continuam soprando desfavoravelmente, no final desse ano, pode-se ter uma virada diante das perspectivas de crescimento econômico, mesmo com a lentidão da vacinação e aparecimento de novas cepas do Sars-Cov-2. Um cenário mais promissor e otimista está a surgir com a consolidação da noção do bem comum, em que os interesses individuais ou de grupos se voltam aos coletivos, que nos vem propiciando a pandemia da covid-19, na alta dos preços das commodities, na leve melhora no quadro fiscal e previsões positivas sobre o crescimento do PIB, o que pode ser traduzido em aceleração do ritmo econômico, criação de mais empregos e de bem-estar para toda a população, inclusive da cidade de São Paulo.

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