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O ‘E’ do ESG no lar brasileiro

29 de novembro de 2021  |  Por Yun Ki Lee, Ricardo Freitas, Patricia Blumberg e Kristian Lee  |   JOTA
O ‘E’ do ESG no lar brasileiro

Diana [1] encontra-se em êxtase.

Como designer gráfico, acaba de participar da elaboração do relatório de práticas ESG e Sustentabilidade da firma que trabalha, um escritório de advocacia.

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável distribuídos nos fatores Ambiental, Social e Governança, ou seja, os 17 SDG-ODS da Agenda 2030 da ONU espelhados em ESG-ASG.

E tudo isso durante a realização da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima 2021, a COP 26.

Com o corpo, mente e alma na decisão tomada de ajudar como puder em conservar e melhorar o meio ambiente, Diana lança seu foco pessoal em diminuir, ou ao menos em não aumentar, a emissão de gases de efeito estufa e a temperatura do nosso planeta, em linha com o compromisso assumido por todas e todos na COP 26 [2] de deter o aquecimento global em no máximo até 1,5ºC para os próximos anos.

Antes, Diana faz uma reflexão quanto às matrizes do ESG-ASG de “usar os fatores Ambiental, Social e Governança para avaliar corporações e países no quão avançados se encontram em sustentabilidade” [3] e de que os SDG-ODS “são um apelo global à ação para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade” [4].

Conceitos macro assimilados na mente, o próximo passo de Diana é para a sua alma, com o entoar do mantra de que o bem querer socioambiental com a prática dos objetivos de desenvolvimento sustentável é algo que pode e deve servir, sim, para si mesma, como indivíduo dentro da coletividade. Um bem comum assim não tem que ficar restrito a corporações e entes públicos. Cada uma e um de nós, como puder, pode e deve contribuir para promover o bem de todas e todos, que é o que visam os ESG-ASG e SDG-ODS.

Com a alma e mente alinhadas, é hora agora de pôr o corpo para trabalhar. Mas nunca é demais relembrar que o foco, no momento, é o fator ambiental em seu lar, o “E” do ESG.

Para tanto, ao se enredar em pesquisas de melhores leituras e guias práticos de como diminuir a emissão de gases de efeito estufa nas rotinas domésticas, uma das chaves para conter o aquecimento global, Diana se depara com um tesouro: o livro “Das Klima Buch”, de Esther Gonstalla [5], que adquire na versão digital por download.

Subitamente, vem lhe à cabeça a lição do quão importante o livro é, mas cujo autor e obra Diana não consegue se recordar naquele momento: “um livro deve ser o machado que quebra o mar gelado em nós” [6].

Empunhada de ESG-ASG e SDG-ODS como machado e o aquecimento global como mar gelado a ser quebrado, o desafio de o livro estar escrito em alemão, língua que Diana não domina, é vencido com uso da tecnologia (como o Google Tradutor, por exemplo) e ajuda humana (solidariedade de amigos, conhecidos e até de pessoas fora do seu círculo, seja por contato presencial ou remoto).

Assim, o seguinte plano de ação anti-CO2 e aquecimento global é traçado para si mesma:

Banho rápido e chuveiro desligado ao lavar os cabelos e ao se ensaboar = economia de 7,5 kg de CO2 por banho;
Secagem de roupas ao natural em varal, fugindo da secadora = economia de 3,7 kg de CO2 por sessão de uma secadora;
Lâmpadas LED no lugar das iluminações convencionais = economia de 46,72 kg de CO2 por ano, dentro de uma média de uso de 4 horas diárias;
Smart TV no lugar do aparelho convencional = economia de 219 kg de CO2 por ano, dentro de uma média de uso de 4 horas diárias;
Geladeira em temperatura mínima = economia de 5,4 kg de CO2 por ano;
Alimentos de empresas certificadas pelo não maltrato dos animais = economia de 0,37 tonelada de CO2 por ano;
Transporte coletivo público, com uso de ônibus, metrô e trem, no lugar de carros = economia de 1,8 tonelada de CO2 a cada 10 mil quilômetros rodados;
Carsharing no lugar do uso individual de carros (como o 99Compartilha, por exemplo) = economia de 1,2 tonelada de CO2 a cada 10 mil quilômetros rodados.
E, dentro de um plano futuro, quando o desejo e a possiblidade de ter um carro próprio lhe for viável, buscar o seguinte item:

Carro elétrico no lugar do veículo movido à combustão = economia de 3,5 toneladas de CO2 a cada 10 mil quilômetros rodados.
Bem mais adiante, ao realizar o sonho da casa própria, uma habitação sustentável, desde a construção até a moradia, com energia fotovoltaica e sistema de aquecimento solar de água, que conta com apoio e financiamento especial da Caixa [7].

Chegada a hora, pois, de pôr o corpo em movimento para se alinhar à alma e ao coração em contribuir para um mundo melhor para si e para todas e todos.

Um mês de prática do seu plano de ação, “Diana x Aquecimento Global”, revelou-lhe uma fácil adaptação aos novos modos de banho, secagem de roupa, iluminação LED, TV inteligente, geladeira em temperatura mínima, consumo de alimentos certificados e preferência a transporte coletivo público. Quanto ao carsharing, um uso ainda um tanto comedido, muito por causa de questões de segurança.

A satisfação da Diana não se resume à sua contribuição na economia de CO2 e no aquecimento global. Também seu bolso foi agraciado com economia imediata. Ora, a conta de luz caiu. Também diminuiu a de água. E até a sua alimentação veio a ser de melhor qualidade.

Missão cumprida e c´est fini? Muito pelo contrário.

A missão ambiental da Diana, agora, se bifurca em dois campos: no seu próprio, em manter as boas práticas ambientais e adicionar outras mais; e no coletivo, em influenciar e ajudar o maior número possível de pessoas para adotar um plano de ação, que pode ser o próprio plano de “Diana x Aquecimento Global”.

E por que não?

Afinal, as mídias sociais e o mundo digital estão aí e podem ser grandes aliados para uma causa que é para o bem de todas e todos, de simples manejo e que alivia nossos bolsos.

 

[1] Sobre Diana e ESG-ASG e SDG-ODS (acrônimos em inglês, respectivamente, de Environmental, Social and Governance e Sustainable Development Goals; em português, Ambiental, Social e Governança e Objetivos de Desenvolvimento Sustentável), ver mais em https://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/esg-e-sdg-num-dia-da-diana/.

[2] Vide https://news.un.org/en/story/2021/11/1105792.

[3] Conferir a redação originária em inglês em https://www.robeco.com/en/key-strengths/sustainable-investing/glossary/esg-definition.html: ESG means using Environmental, Social and Governance factors to evaluate companies and countries on how far advanced they are with sustainability.

[4] Vide em https://brasil.un.org/pt-br/sdgs.

[5] Para acessar o livro, ver https://www.oekom.de/buch/das-klimabuch-9783962381240.

[6] De Franz Kafka, em carta a Oskar Pollak, amigo da época da escola, datada de 27 de janeiro de 1904. In:“Letters to Friends, Family and Editors”. Berlim: Schocken Books,1999.

[7] Conferir em https://www.caixa.gov.br/sustentabilidade/negocios-sustentaveis/habitacao-sustentavel/Paginas/default.aspx.

 

KRISTIAN LEE – B.Sc. in Economics and Business Administration e Computer Science Student, ambos pela Goethe Universität Frankfurt Am Main, e Working Student em Portfolio Management na Lloyd Fonds AG.
YUN KI LEE – Sócio da Lee, Brock, Camargo Advogados, mestre em Direito Econômico pela PUC-SP e professor de Pós-Graduação em Direito.
PATRICIA BLUMBERG – Diretora de ESG da Lee, Brock, Camargo Advogados e Master em Digital Communication pela Westminster Kingsway College London.
RICARDO FREITAS – Sócio da Lee, Brock, Camargo Advogados, doutorando e mestre em Direito, Justiça e Desenvolvimento e professor de Pós-Graduação em Direito.