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Como as redes sociais se posicionam no combate à pandemia de covid-19

8 de abril de 2020  |  Por Carolina Mattioti Martino Mango,Carolina Paulino Fontenla e Roberta Flávia Carillo Ambrosio  |  LBCA
Como as redes sociais se posicionam no combate à pandemia de covid-19

Em um cenário, no qual 1/3 da população mundial está em isolamento social, a tecnologia tem sido uma forte aliada na manutenção do trabalho remoto para a grande maioria das empresas  e na busca por informação com credibilidade, que envolve as gigantes tecnológicas.

GOOGLE/YOUTUBE

Sundar Pichai, CEO da Google e da Alphabet Inc., anunciou no blog da empresa, ainda no começo de março, as medidas tomadas pela gigante de tecnologia para ajudar na crise global do coronavírus. Além das precauções adotadas com relação a seus funcionários e colaboradores, divulgou-se a criação de um Alerta SOS, que mostra aos usuários as notícias mais recentes, de fontes confiáveis, a respeito da pandemia.

O que chama atenção, no entanto, é que, neste contexto considerado excepcional, a equipe de Trust and Safety do Google entrou em cena para contribuir com a saúde e o interesse público de forma nunca vista. No YouTube, foram concentrados esforços para que haja a remoção, o mais rapidamente possível, de qualquer conteúdo com a promessa de curar o coronavírus sem a necessidade de tratamento médico.

Já no que tange à revenda de espaço publicitário, o Google Ads informou que removeu dezenas de milhares de propagandas que visavam lucrar com o coronavírus e que continuará impedindo a veiculação de tais anúncios. O Google Play, por sua vez, continua com sua rigorosa política prévia, que proíbe aplicativos enganosos ou possivelmente prejudiciais à saúde ou a tratamentos médicos.

A empresa, no entanto, foi além da contribuição financeira à pesquisa científica e das medidas repressivas a conteúdos maliciosos e prejudiciais, decidindo buscar formas de promover informações confiáveis a respeito da COVID-19. No Google Search e no YouTube, por exemplo, os usuários estão sendo direcionados, prioritariamente, à página da OMS e a outras fontes fidedignas, como ao site do Ministério da Saúde e dos grandes portais de notícias nacionais, em um esforço para reforçar conteúdos confiáveis e reduzir a disseminação de conteúdos duvidosos e desinformação.

FACEBOOK

Facebook, responsável pelo Instagram, WhatsApp e a rede social com o mesmo nome da empresa, vem adotando medidas para impulsionar o conhecimento sobre a pandemia e conter informações falsas sobre a doença. Em janeiro, por exemplo, a empresa começou a exibir pop-ups educacionais na rede social Facebook e no Instagram que mostram informações da OMS e de autoridades regionais de saúde no topo do feed de notícias em todos os países quando os usuários pesquisam informações relacionadas ao COVID-19. No Instagram, inclusive, pop-ups semelhantes também são mostrados no feed dos países mais afetados e quando o usuário se utiliza da hashtag relacionada à pandemia.

Na última semana, demonstrando cada vez mais sua preocupação com o tema e o uso de suas ferramentas para a disseminação das informações, o Facebook lançou o Centro de Informações COVID-19, que é agora destaque no topo do feed de notícias em vários países e inclui atualizações em tempo real das autoridades nacionais de saúde e organizações como a OMS, o qual estará disponível globalmente em breve.

Assim, segundo a empresa, mais de um bilhão de pessoas são direcionadas a recursos das autoridades de saúde, das quais mais de cem milhões clicaram para saber mais sobre o assunto.

WHATSAPP

No WhatsApp,  os usuários podem se inscrever para receber o Alerta de Saúde da OMS, o qual traz um relatório diário com os últimos números de casos do COVID-19. Ele também inclui dicas sobre como impedir a propagação da doença, bem como respostas a perguntas comuns que as pessoas podem facilmente enviar a seus contatos.

Dessa forma, por se tratar de uma doença atualmente descoberta e que pouco se conhece, como forma de proteção aos usuários, a empresa está removendo informações incorretas relacionadas ao vírus e que podem contribuir para danos físicos iminentes, medida que vem sendo tomada desde 2018, quando estavam sendo propagadas informações falsas sobre o Sarampo em Samoa.

Inclusive, recentemente, o Facebook se viu imerso em mais uma polêmica ao excluir um vídeo do Presidente, no qual Bolsonaro desafia o isolamento defendido pelas autoridades sanitárias para combater a pandemia. No entanto, o Facebook vem aplicando a política à desinformação sobre o COVID-19 desde janeiro, que consiste em remover postagens que fazem alegações falsas sobre curas, tratamentos, a disponibilidade de serviços essenciais ou a localização e gravidade do surto e, como dito, já foi adotada em situações anteriores.

A decisão de quais conteúdos deverão ser excluídos é baseada nas orientações da OMS e de outras autoridades de saúde. Porém, para postagens que não ensejam danos físicos diretamente, a empresa está investigando mais profundamente as informações. Depois que uma postagem é classificada como falsa, sua distribuição é reduzida para que menos pessoas a vejam, assim como são mostradas notificações para avisar os usuários que ainda a encontram, tentam compartilhá-la ou já a têm.

TWITTER

Em consonância às políticas adotadas pelo Google e pelo Facebook, o Twitter também divulgou medidas relacionadas à propagação de (des)informação quanto à prevenção e combate ao coronavírus. Nesta linha, a plataforma ampliou suas definições de conteúdo danoso para abranger tudo aquilo que estivesse diretamente contra as informações globais e locais de saúde pública orientadas por fontes oficiais. Por conta disso, a plataforma informou que irá solicitar a remoção de publicações que promovam:

  1. a negação das recomendações de autoridades de saúde locais ou globais e, ainda, de fatos científicos estabelecidos;
  2. a descrição de curas não comprovadas, tratamentos prejudiciais ou medidas de proteção ineficazes para COVID-19;
  3. afirmações em torno das informações da COVID-19 que têm como objetivo manipular as pessoas para um determinado comportamento, para ganho de terceiros com um pedido de alguma ação;
  4. afirmações específicas e não verificadas que incitam as pessoas a agir e causam pânico generalizado ou que forem feitas por pessoas que se passam por um funcionário, organização ou governo de saúde;
  5. informações falsas ou enganosas sobre os critérios, procedimentos de diagnóstico e padrões como diferenciar COVID-19 de outra doença; e
  6. informações de que grupos específicos ou nacionalidades nunca são ou são mais suscetíveis a COVID-19.

O Twitter comunicou que, desde a implementação oficial da política de combate ao coronavírus, promoveu a remoção de cerca de 1.100 “tweets” de sua plataforma, além de checar cerca de 1,5 milhão de contas direcionadas à discussão em torno de COVID-19 com comportamentos manipuladores ou de spam.

A exemplo disso, também se noticiou a retirada de publicações do Presidente Jair Bolsonaro, as quais se mostravam contrárias às medidas de distanciamento social, e do Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, que recomendou mistura de ervas como cura da doença, de sua plataforma. Sete postagens realizadas pelo Pastor Silas Malafaia também foram removidas por se mostrarem contrárias às diretrizes adotadas em combate ao coronavírus.

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