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As religiões em harmonia com o mundo do trabalho

31 de janeiro de 2020  |  Por Santamaria Silveira  |  LBCA
As religiões em harmonia com o mundo do trabalho

Na mesa da advogada e sócia da LBCA, Danielle Ciré, há quatro imagens: Ogum, Iemanjá , Zé Pilintra e Cigana (em formato de crianças), a denotar sua fé em religiões de matriz africana (Candomblé e Umbanda). Para Danielle, deve haver espaço para a religião dentro do ambiente corporativo, sem que isso gere qualquer tipo de conflito.

Desde 2007, o Brasil possui a Lei nº 11.635, que institui o dia 21 de janeiro como sendo o “Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa”. Esse diploma legal foi reforçado no ano passado, em São Paulo, com a criação de uma nova lei  17.157/2019, que pune atos de discriminação religiosa.

Para Danielle, a discriminação religiosa não tem espaço dentro da LBCA. O exemplo está no fato de ter um diretor evangélico (Ricardo Freitas Silveira)  e a convivência entre eles ser harmoniosa. “Temos religiões diferentes, mas com essências parecidas. Nossas crenças estão assentadas em algo maior e no comprometimento com o trabalho”, diz ela.

A religião, segundo Dani, pode emprestar muitos elementos positivos ao trabalho, como a intuição, a resiliência, o entender o outro, principalmente no trato com clientes, com colegas e com outras áreas do escritório.

Danielle explica que a Umbanda cultua mais as entidades (pretos-velhos, pombas-gira, exus etc.) e o Candomblé, mais os orixás (Iemanjá, Xangô, Iansã etc.). Quem é amigo da Danielle no Facebook, por exemplo, pode constatar que ela é uma estudiosa dos orixás e dá muitas dicas em vídeos diários sobre as histórias dessas divindades.

Por ter uma crença de matriz africana, Danielle diz que, às vezes, é alvo de comentários discriminatórios, como: “Cuidado com a Dani, ela é macumbeira”. Na sua avaliação, em um país considerado o mais sincrético do mundo, onde as crenças são absorvidas e convivem umas com as outras, o humor contorna esse tipo de comentário, que não deixa de magoar.

Somente se fosse alvo de conduta com um grau de intolerância religiosa mais ostensivo, ela levaria para o RH do escritório, no sentido que o/a autor/a fosse admoestado/a. Danielle entende que nenhuma religião prega o mal e deve vigorar o respeito às crenças de cada um.